domingo, 21 de março de 2010

A caixa de entulhos

Ainda a pouco, fui rever minha caixa vermelha, aquela onde eu guardava suas fotos, que antes, soterradas por diários, cartões, flores secas, papéis de bombom, hoje encontram-se só, jogadas ao fundo da caixa e esse fundo que parece tão longe da borda me faz soltar uma lágrima, não merecida por voce, mas para enterrar-te de uma vez.
Em seguida, fui tomar um banho, está quente hoje. Perfumo-me para a nova rosa-branca que chega a minha porta. O novo cheira muito melhor. Voce me entorpecia de uma erva desconhecida e adocicada, já o novo, tem cheiro de amanhã, que não me permito dizer como é. Eu amo a sensação do amanhã. De toda a minha constante montanha-russa, de toda a minha roça plantada com unhas e pés de camponês feliz. De todas as minha ervas, de todas as minhas cochas lanhadas e sem justificativas.
Voce em minha roça não seria ao menos um lenço branco de viscose perdido ao vento, nem tão pouco a firmeza de um pé de ingá ou a beleza estranha de uma folha seca. Mas sim, uma folha em branco, sem argumento, ou para poucos a beleza de ser pouco.

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